quarta-feira, 19 de janeiro de 2011

PENSAMENTO DO DIA:

"Milagres não são contrários à natureza, mas apenas contrários ao que entendemos sobre a natureza."
Santo Agostinho

terça-feira, 18 de janeiro de 2011

PENSAMENTO DO DIA:

"Amar é encontrar na felicidade de outrem a própria felicidade."
Gottfried Leibnitz

segunda-feira, 17 de janeiro de 2011

PENSAMENTO DO DIA:

"Só o inimigo não trai nunca." (Nelson Rodrigues)

QUEM AMA CUIDA; NEM QUE SEJA DE SI MESMO


O violão estava ali; no mesmo lugar; emoldurado por um jogo de sofás e uma estante. Não sabia precisar quanto tempo fora à última vez que tinha solicitado uma melodia ou arriscado alguns acordes. Por um instante jurava que era ele que me olhava; como se quisesse dizer algo. Num despertar súbito de minha já combalida lucidez; permiti-me conter qualquer rompimento mais severo com a realidade. Resguardando-me mesmo que precariamente de um surto psicótico; resolvi escrever algo que permitisse uma viagem de ida e volta. Garimpei com o maior zelo possível no meu mediano vocabulário e o único predicado encontrado por mim para aquele pobre instrumento é o imobilismo catatônico e uma apatia contagiante.

Intuía sem a anuência ou consentimento daquele pobre instrumento; mas acredito não sei como que aquele violão ali não era incomodado pela poeira; acredito que o pior sofrimento de um instrumento é o abandono; o som; o acorde nasce de uma romance que envolve um cuidado mútuo entre o músico e o instrumento. Um olhar um pouco mais acurado percebia certa tristeza naquele instrumento; se o mesmo fosse atendido por um psiquiatra o mesmo não titubearia em receitar algum ansiolítico.

E nesse afã de socorrer aquele instrumento; porque não arriscar alguma melodia. E nesse afã de reverter àquela situação pensei em solfejar alguma melodia e tentar arriscar alguns acordes; quando pra minha surpresa saltitou em minha mente a musica sozinho do Caetano Veloso. “às vezes no silêncio da noite... eu fico imaginando nós dois... quando a gente gosta é claro que a gente cuida. É verdade; a música diz que quando amamos cuidamos do outro; isso já virou um clichê em programas na mídia; tornou-se trivial. Nessa música a assertiva é categórica; quando a gente ama é claro que a gente cuida; mas de quem se cuida? Do outro ou de mim; ou de ambos? O que pouco se fala é do poder do amor de cuidar de si mesmo.

Não sei se vocês sabem; mas o amor em excesso pode gerar pessoas inseguras emocionalmente; mães superprotetoras geram adultos inseguros com auto estima comprometida ora sentem-se dominados e aturdidos por um complexo de inferioridade. Outra vertente possível na criação é a rejeição do filho; é importante ressaltar que esse dispositivo pode ocorrer ainda na gestação; entende-se rejeição aqui não como dizer não; mas não se entusiasmar; acredito que a apatia é o parente mais próximo do sentimento da rejeição de uma gestação.

Um dia esse adulto que ora foi superprotegido ou rejeitado terá a oportunidade de se apaixonar; seria possível um indivíduo que foi violentado no momento mais importante do seu desenvolvimento amar de maneira plena? E ai como fica a equação da música quando a gente gosta é claro que a gente cuida. Como cuidar do outro se não sei cuidar de mim mesmo? se não sei estar em minha companhia? Como já dizia algum filósofo: Quem se entedia com sua própria companhia está em péssima companhia. A verdade é que o sinal de saúde psicológica é saber o quanto; quando e como devemos cuidar de nós; pois a confusão destes momentos podem nos arrastar para o egoísmo ou nos lançar ao desleixo existencial. Em ambos os casos os extremos são estados de morbidez psíquica.

Quando falo em cuidar; não estou me reportando ao ato de comprar cremes; xampus ou creme dental; fazer cirurgias plásticas ou adquirir um carro novo.. Cuidar não é responder aos apelos da mídia; cuidar representa algo maior que transcende a mesquinhez dos dias atuais. Cuidar é configurar sua vida para um sentido existencial tal como falava o emérito Victor Franckel quando sugeriu a logoterapia. O amor próprio não é o principio hedonista dos dias atuais; nem muito menos o egoísmo de preterir o outro; o amor a si mesmo é ser apresentado a sua limitações; sentir o frescor dos obstáculos; e quem sabe degustar um pouco de sofrimento e os dissabores da caminhada.

Cuidar é aprender a valorizar seus desejos; respeitar-se enquanto indivíduo separado e único. Hoje vemos pessoas que enamoram e se relacionam porque aspiram que o outro o parceiro; marido ou namorado faça o que ela deveria ter como dever de casa. Cuidar de si em primeiro lugar; não responsabilizando ninguém por esse ofício que é peculiar de cada um de nós. É muito comum você ouvir estou com fulano porque ele cuida de mim; olha quem busca alguém para cuidar na verdade não busca um companheiro; busca uma figura parental que deveria ter tido o seu papel deixado na infância. E na confusão cada dia mais presente nos dias atuais amor de confunde com gratidão ou remorso ou até culpa; na verdade o amor nunca exerce a sua função que seria incorporar o ideal de liberdade de se permitir quem realmente se é. Ai está montada a equação neurotizante; quem ama cuida mesmo sem querer do outro sim; mas porque não carece de ser cuidado; quando cuido do outro sem interesse e de maneira espontânea estamos diante do amor genuíno.

Agora se você cuida do outro; na impossibilidade de cuidar de si; quando você projeta no outro o cuidado que um dia você Gostaria de receber; numa forma de retribuição. Não tardará e você cobrará esse cuidado com juros e correção monetária. Dizendo ao seu parceiro fiz isso; aquilo e mais isso tudo e você o que me deu em troca?. Na verdade ninguém vai te encontrar num barzinho dizendo que não sabe cuidar de si mesmo. Na verdade o que a outra fez não foi cuidar de você; mas simplesmente te aprisionar em sua neurose; na qual a moeda que ele conhece é o azedume da dívida emocional; da cobrança do famoso jogar na cara. Então antes de ficar repetindo aquela frase sem pensar que quem ama cuida; deveria refletir só consegue amar de verdade que um dia aprendeu a cuidar de si antes de qualquer coisa.

E não sei se por uma percepção falha minha parece que o violão agora não estava como antes; mesmo que meio fora do tom da música e o acorde não estar em tamanha sintonia; mesmo sabendo que sou um músico mediocre parece que é possível até ver o esboço de um sorriso no canto direito do violão claro que me senti invadido por sensação única de paz ou seria amor?

MARCOS BERSAM
PSICÓLOGO CLÍNICO

sábado, 15 de janeiro de 2011

QUANDO O AMOR ACABA

Amigos internautas se têm uma demanda recorrente em meu consultório; com certeza o assunto amor figura entre o que mais aflige as pessoas. Não é comum ninguém chegar se aconchegar num divã para tratar da promoção no serviço que não ocorreu; ou para tratar do carro novo que foi adiado. Agora quando o assunto refere-se ao amor; o relacionamento afetivo é enorme o número de pessoas que perdem noites de sono. E isso fica mais evidente quando a relação está por um fio. No momento que a relação está mergulhada numa crise parece que o sujeito está sozinho; amiúde os amigos ou casais que saiam juntos começarem a se afastar ou até mesmo evitarem o casal em crise. O casal que está em desarmonia parece de certa forma apontar de modo inconsciente para os outros casais a fragilidade desse empreendimento afetivo que é a vida a dois. Quem sabe essa evitação não é uma forma primitiva e atávica; um mecanismo de defesa; dos casais próximos recolherem-se em seu mundo “harmônico” para não se depararem com questões que podem mexer e incomodar a sua própria relação. As pessoas que presenciam a separação de um casal ficam meio atônitas diante da notícia; o relacionamento de longa data parece que nos impede de visualizar as individualidades separadas. Faça você mesmo um exercício; imagine aquele casal que você é amigo e tente imaginá-los separados; no mínimo você sentirá desconfortável com tal exercício. Agora imagina uma pessoa que é o protagonista dessa relação falida e que nunca pensou em viver sem seu companheiro. Outro sábado a noite estava eu ali em mais uma cerimônia religiosa; não vou falar que era um penetra; mas também não era convidado direto; pois era o conhecido de um amigo do casal; ou seja, um penetra tolerado. A ocasião era um casamento numa igreja evangélica. Apesar de não conhecer o casal de noivos; o tom eloqüente do pastor no púlpito prendeu minha atenção minimamente para que prestasse atenção na pregação e no sermão da noite. O sacerdote usou na ocasião uma metáfora para definir o matrimônio; comparou o casamento a uma escalada a uma montanha; dizendo que os primeiros passos acontecem longe das câmeras fotográficas; Buffet; viagens ou presentes. Mesmo sem
o pastor ter dito isso, pensei: É verdade subir um barranco sozinho é difícil; imagina uma montanha a dois!O pastor da noite tinha minha anuência no assunto; logo cada um tem um ritmo; cada um precisa de um tempo para descansar. O outro pode se machucar; precisar ser amparado. Por um instante meu raciocínio divergiu um pouco e me perguntei: E se tudo der certo nessa jornada a dois o que farão lá em cima da montanha?Seria algo entediante? Parar de subir seria a morte do casal? O que fazer quando chegar ao pico da montanha; resolver descer por outro caminho? Desisti de me inquirir e não obter resposta alguma. Até porque não cheguei ao cume de nada; e acredito que nem mesmo aquele pastor saberia dizer o que nos aguarda no topo da montanha. Nesse instante comecei a duvidar se o pastor tinha sido feliz no exemplo. E mesmo em meio a tantas dúvidas me lembro perfeitamente que gostei da cerimônia e logo após houve uma festa com direito a todos os excessos de bebidas; comidas e juras de amor eterno dos noivos perante os convidados. Como já confidenciei a vocês que era um penetra melhorado nesse evento fui informado por alguém que a união daquele jovem casal já tinha chegado ao fim. Não sei se por causa da montanha ou por outro motivo qualquer; mas a verdade é que mais um casamento tinha decretado falência. A incógnita que fica é que aquele momento realmente era verdadeiro; acredito que tudo foi sincero entre os noivos; as juras de amor eterno; com brindes de champanhe numa festa linda que eu mesmo tive a oportunidade de ser testemunha; imagino que havia sonhos em comum; troca apaixonada de bilhetes de amor; não sei se vocês concordam; mas sou da opinião de que os amantes escrevem para tentar imortalizarem e fazerem durar aquele estado diferenciado de plenitude; talvez num afã premonitório de saberem que logo a felicidade pode despedir sem muitas delongas. E a pergunta que fica é Por quê? Na verdade ninguém muda; são os nossos olhos que enxergam conforme o momento existencial; os casais que me procuram em crise são os mesmo que juravam ser diferentes e estarem imunes a qualquer conflito e desentendimento. Acontece que suas prioridades sofreram severas metamorfoses. Explico melhor. O homem casa com a mulher numa expectativa de que a sua mulher será sua namorada para sempre; acredita o homem que a mulher dele será diferente das demais e, portanto seu casamento dará certo. Ele
não tem a menor dúvida que com ela será diferente; ninguém consegue dissuadi-lo do contrário. O homem acredita que sua esposa de amanhã será a namorada de hoje; muito sexo, aventura e cumplicidade e apoio incondicionais. Tão logo termina a lua de mel o homem desconhece a mulher com que se casou. Essa começa a reclamar da toalha em cima da cama; do banheiro sujo; do papel higiênico fora do lugar; como se papel higiênico devesse ter lugar; da pia lotada de talheres e copos da noite anterior. O homem desconhece aquela mulher e se não bastasse não encontra mais a disposição e apetite sexual de sua esposa para noites de amor. A esposa agora não se aventura em transas em locais pouco convencionais; perde o hábito de freqüentar lojas de lingerie. E a noite não tem mais a cumplicidade do luar; o marido parece que é um médico plantonista do SUS que acaba sabendo que toda noite a mulher apresenta um sintoma diverso: enxaquecas; cólicas; sono. A mulher na contramão do homem casa com o homem acreditando que ele vai mudar depois do casamento e para seu espanto descobre que ele continua indo ao futebol no fim de semana e bebendo com os amigos até tarde; o mesmo continua desorganizado e muita vez esquece datas que para ela sempre foram importantes; ele também não se lembra da música do casal e de outros tantos detalhes importantes para ela. Algumas mulheres exigem e se aborrecem pelo marido não notar o brinco novo; o batom diferente; ou que é mais interessante o lençol novo dobrado de maneira diferente ou a fronha perfumada do travesseiro. A mulher é muito mais esperançosa de que depois do casamento as coisas mudarão. Estou aqui para afirmar que não muda tanto como ela gostaria. É bem verdade que existem casais que conseguem contornar os problemas próprios dos casamentos; mas esses são pessoas bem resolvidas e mais maduras que dispõe de mecanismos para sobreviver à rotina enfadonha do dia a dia. Como estou aqui para falar dos relacionamentos que sucumbem; voltemos às vicissitudes do casal em crise. Sabe aqueles cartões e bilhetes de amor que você já deve ter recebido; no casamento os cônjuges reclamam comigo que se tornam escassos; os cartões que agora aparecem por todo canto da casa são os de crédito; aquelas idas ao motel agora ficam para depois; afinal tem uma justificativa muito oportuna que é para economizar para a troca do carro; ou a escola dos filhos. Os beijos apaixonados não mais fazem parte da
relação sexual; as caricias e os preliminares são sabotadas e o casal pega o atalho da pressa e da comodidade; a aventura não mais acontece afinal à cama muitas vezes limita a aventura; a surpresa e emoção. O colchão e as paredes do quarto passam a serem testemunhas oculares de um romance de fachada e que sobrevive da covardia de ambos. Nesses sinais que estou enumerando é muito comum os casais relatarem que não sentem mais o cheiro do marido ou da esposa; cuidado se você não tem cheiro; a ausência de perfumes de modo geral traz a fragrância da indiferença e da falência do relacionamento. Então antes de qualquer relacionamento acabar deve-se notar os sinais; nesse jogo de frustração um quer tolher o outro; você não vai fazer isso; porque não quero. Agora você é casado sou seu dono! Quando se permite o aniquilamento individual; quando se violenta suas preferências e sonhos não tarda e azedume e amargura nos acompanham por todos os cantos. O outro cede, mas como punição solicita e exige do outro o mesmo pagamento com todos os juros possíveis; nessa lógica de exigência mútua o que fica em evidência é o jogo do poder. Na ilusão de que o outro é sua propriedade você acaba fazendo exigências descabidas isso tudo para aplacar a insegurança pessoal. Nessa troca mútua de privações; a liberdade é estrangulada pela obrigação e a monotonia dá uma segurança entediante que também vai asfixiando a relação e não demora muito sonhos vão morrendo e o diálogo e o desejo de saber da vida do outro desaparece. A cumplicidade cede lugar ao egoísmo desmedido. O encontro agora não ocorre mais diante do altar e o sacerdote diante que prega palavras edificantes; os personagens agora são os juízes; os advogados e os fóruns que tentam mediar o conflito que não existia. Quando o amor acaba não resta muito a fazer apenas lamentar; mas podemos também aprender que estar com alguém requer paciência; diálogo; vontade; doação e eterna conquista. Estar com alguém é uma arte que requer primeiro estar bem consigo mesmo; quando fazemos do outro nossa muleta existencial jogando sobre o parceiro expectativas que ele não pode cumprir estamos a um passo de sabotar o amor. Quando relacionamentos nascem para fugir de problemas ou outros relacionamentos tormentosos a expectativa de sucesso é diminuída. Quando o amor acaba na verdade somos atingidos de raspão em nossos medos alojados nos lugares mais recônditos de nosso ser; o
temor e a ansiedade de que também estamos sujeitos a fracassar na eterna busca do amor. Então quando fico sabendo que o amor de um casal acabou; volto-me para mim mesmo e sinto como somos impotentes e frágeis na arte de amar. E o quanto temos que aprender.

MARCOS BERSAM
PSICÓLOGO CLÍNICO

terça-feira, 11 de janeiro de 2011

Psicologia de Banheiro


É bem verdade que a minha já modesta veia literária apresentava sinais de uma inércia e letargia preocupante; a verdade é que isso tudo agravado pela pressão da minha meia dúzia de leitores da internet. E sempre bom ressaltar que entre eles minha mãe e meus irmãos. Os amigos mais próximos me achincalhavam; a minha falta de inspiração era motivo de escárnio. Nesse clima de pressão descomunal de escrever algo novo e original fui salvo por um problema hidráulico inesperado no banheiro de minha residência. 
O insight aconteceu como sempre deve acontecer sem esperar e sem avisar. Que tal me aventurar pelas idiossincrasias comportamentais do homem e na mulher nos banheiros? 
Vou fazer uma pequena ressalva quanto ao comportamento das mulheres no banheiro; caso cometa algum equívoco. Vou contar de antemão com a tolerância dos leitores internautas; pois não tive tempo hábil de recorrer a nenhuma consultoria feminina. Creio que com esse parêntese possa errar mais do que de costume. Quando uma mulher vai ao banheiro sempre convida a outra; ou seria o inverso; a outra insinua de maneira sutil e acaba se oferecendo de companhia? 
Quando uma mulher entra sozinha no toalete pode sair de lá proseando e já trocando telefones para uma possível amizade. No interior do banheiro trocam segredos e pequenos comentários despretensiosos. A certeza que temos é que um banheiro emudecido não é feminino. 
Já o homem tem uma particularidade que destoa do sexo oposto. Quando esse último  se dirige ao banheiro; é fruto de uma decisão acertada. O verdadeiro homem não titubeia e muito menos solicita a companhia de mais testosterona com ele. A situação de solidão é levada tão a sério que se ele pudesse  arrancava o seu ego e o colocaria sobre a mesa do barzinho do lado do chope para realmente estar plenamente sozinho. Ao tomar atitude de levantar-se e ir ao banheiro por um instante parece que o esfíncter migra temporariamente para o cérebro; a capacidade de discernimento está comprometida. Com passos largos e afoitos ; a marcha do homem em direção ao toalete é inconfundível o semblante transparece agonia e ânsia. Nessa jornada em direção ao banheiro o homem não tem paciência e muito menos tempo a perder; a prioridade do esfíncter enrtorpece o senso de solidariedade; a cognição fica comprometida e o egoísmo aponta sem acanhamento. 
O homem que realmente que ir ao banheiro em momento algum é parado; alguns recusam socorrer a própria mãe pelo caminho. Algumas teorias dizem que a única maneira de interromper a ida ao banheiro é aplicar um golpe marcial que pudesse desacordá-lo. 
O homem ao entrar no banheiro é adepto de um silêncio ensurdecedor; tal como num templo. O ritual de urinar é respeitado por todos numa espécie de irmandade secreta com valores seculares. Homem que se preza sempre se demonstra auto-suficiente; o verbo pedir fica esquecido no interior de qualquer sanitário chinfrim. Solicitar um favor ou um sorriso pode revelar para os demais algum desvio ou aspecto duvidoso na sua masculinidade. O olhar do homem também no sanitário deve ser policiado; pois o mesmo pode ser encontrado fortuitamente por outro olhar temendo ser comparado ou vigiado e isso da um angústia aniquilante. 
Algum macho afirma que fitar outro macho desconhecido olho no olho; principalmente dentro de um banheiro público causa insônia e na melhor hipótese pesadelos terríveis. Parece que há um código entre os homens de sempre entrar olhando nos banheiros para o teto ou para o chão. A repressão masculina no banheiro é o medo da comparação; alguns homens comparam o jato barulhento do xixi; outros , o pênis do seu amigo ao lado; outro tem dificuldade de ficar a vontade num banheiro lotado.  
Na contramão disso a mulher age diferente; essa quando esta a caminho do toalete mantém a cognição apurada o senso de percepção continua intacto; ela é capaz de atender ao celular; conversar com a amiga; reparar o decote da mulher que caminha ao lado e ainda trocar gentilezas com uma amiga que não vê há muito tempo. A mulher não tolera a ausência de um espelho e de um rolo de papel higiênico de qualidade; o banheiro do sexo feminino tem que ter sutilezas que agradem principalmente os sentidos da visão e do olfato. 
O homem não está interessado em nada disso, ficar num banheiro para o homem é perder tempo. De modo geral o banheiro funciona para ele recarregar suas baterias e sua estratégia de conseguir ficar com alguém. 
Hoje o banheiro masculino é o momento também do uso do telefone celular . É impressionante como o sinal é melhor dentro do banheiro; lá parece que as mensagens chegam com mais presteza e as ligações são mais eficientes. A verdade, amiga internauta, é que o homem que combina celular e banheiro são extremamente perigosos.      
Acredito que o banheiro para mulher é lugar de aprendizagem; uma espécie de teatro catártico onde ela pode chorar; se emocionar; ter esperanças receber conselhos. O ideal, talvez, fosse um serviço de Buffet com poltronas felpudas que pudessem dispensar o conforto do ambiente externo. 
Da mesma maneira que o ritual de entrar no banheiro entre os sexos é diferente; a forma de sair também é única. Homens não se cumprimentam ao sair do banheiro; a mão passa a ser uma parte do corpo intocada; no máximo um cumprimento verbal ou uma tapinha nas costas. Há uma concordância e uma polêmica em torno do lavar as mãos ao sair do banheiro masculino; logo alguns afirmam que lavar as mãos é acabar sujando-as mais. 
E isso é formidável; a maior briga de casais por causa do banheiro depois de casados é porque cada um trata essa parte da casa de modo peculiar; imagina como poderia dar certo e não haver conflito nessa convivência que dificilmente é amistosa. Então, amigos leitores, se você já brigou ou discutiu sobre o estado que usa ou deixa o banheiro é perfeitamente esperado que haja conflitos. 
Finalmente, pode-se dizer que tudo tem o lado legal; o termômetro de que você está casado com o sexo oposto é a freqüência dos desentendimentos quando o assunto é o uso do banheiro. Agora ,se você convive harmonicamente com o seu parceiro quando o tema trata do uso do toalete; carece que você analise mais minuciosamente a masculinidade ou feminilidade do seu parceiro. Afinal, afinidade no sanitário é coisa de iguais; se você gosta do sexo oposto aprenda desde já a celebrar o conflito no banheiro.

MARCOS BERSAM
PSICÓLOGO CLÍNICO

domingo, 9 de janeiro de 2011

DIALOGAR PARA NÃO MATAR!


Olá, amigos internautas; lembrei-me que já se passava um bom tempo sem um artigo novo; então já que o domingo estava chuvoso e a noite anterior fora bem agitada que tal então escrever algo para tentar ludibriar a idiossincrasia enfadonha do fim de semana. 
Tenho um amigo psicólogo que é gerente de recursos humanos de uma grande empresa. Ele é responsável pelo departamento de pessoal desta grande empresa e certa ocasião me disse que já estava enfurecido com a quantidade de empregados que iam até seu escritório para sempre reclamarem de algo. 
Ora o plano de saúde; ora as ferias; ora o colega da repartição; ora a fofoca; nesse turbilhão de queixas e problemas o mesmo percebia que nenhum dos indivíduos percebia sua cota de responsabilidade no problema levado o seu conhecimento. Ele disse para mim que afixou na porta da entrada de seu gabinete a seguinte placa com os dizeres.”SE VOCÊ NÃO FAZ PARTE DA SOLUÇÃO ENTÃO FAZ PARTE DO PROBLEMA”
Ele me confidenciou que após tal atitude o índice de solução e reclamação diminuiu abruptamente. A verdade nua e crua é que tem pessoas que gravitam em torno de conflitos; tais pessoas são magnetizadas e impulsionadas para qualquer situação de disputa; na verdade a permanência nas desavenças é para o fomentar o combustível de sua dinâmica neurótica. A estratégia do neurótico; diante de sua insegurança pessoal; é eleger inimigos; adversários e perigos externos. De modo projetivo ele transfere a inimigos imaginários medos internos; na verdade sente-se menos doente acreditando que o perigo está fora de si. 
Enquanto ele agir assim afasta de sua consciência o encontro consigo mesmo; com seus medos e inseguranças. Ele sente-se sempre numa batalha; uma espécie de cruzada. Ele demoniza o outro; a sensação iminente de aniquilar o outro. Esse indivíduo só sobrevive mediante a ilusão de que tem razão. O orgulho é o que estabiliza sua doença; portanto estar em homeostase egóica e afinado com a empáfia e a soberba faz parte de sua forma de ser. Ora se vangloria de ter personalidade forte; na verdade a ignorância existencial faz com ele não amadureça. O inimigo mora dentro dele mesmo; ele é o artífice de seu sofrimento.  
Nós temos exercido pouco a nossa capacidade de conciliação; diante de um conflito temos duas formas de resolver uma é dialogando a outra é usando a violência; é bom fazermos um parêntese é elencar que o orgulho; a empáfia; a soberba; insolência são elos da mesma corrente da violência e do atavismo da agressão. 
Os homens deveriam dialogar e os animais por estarem regidos pelo instinto deveriam resolver suas contendas simplesmente pela via da agressão. Só que fica a pergunta por que tantos humanos estão em pé de guerra; e não mais conseguem dialogar; conciliar; entender; desculpar-se; deixarem o orgulho de lado e assumirem sua parcela de responsabilidade?
Seria a o espírito competitivo dos dias atuais; ou seria a orfandade de valores morais; seria o afastamento compulsório imposto pelo materialismo no que tange a Deus. E o cenário então é de casais infelizes que brigam por tudo ou por nada; pais e filhos ou irmãos que mais parecem inimigos de outras épocas. 
O clima de animosidade entre familiares e estranhos parece que está gerando um colapso na forma de dialogar entre os humanos. As pessoas estão prontas para atacar; talvez pelo medo ou pela preocupação egoística plantada pelo imediatismo dos dias atuais a luta pela sobrevivência parece aguçar os instintos mais primitivos. E no amontoado de instintos a agressão desponta com o mais fácil de lançar mão. 
E aí nos deparamos com atrocidades e crimes com requintes de crueldade jamais vistos; isso tudo com emoldurado por uma geração apressada e sem tempo para as amenidades da vida; uma sociedade refém da estética alienante; do ter sobre o ser; nos modelos de felicidade alicerçados na cobiça; uma geração que se refugia nas drogas licitas e nas ilícitas; quando o sujeito não se vê com uma missão faz de sua vida algo de muito pouco valor; o amor cede lugar ao ódio; o narcisismo e o orgulho fomentam a ira. E agredir torna-se um costume banal. 
Ultimamente crimes tem acontecido em escala tão elevada. A verdade é que num conflito uma das formas do mesmo ser potencializado é você buscar sempre ter razão. 
Olha, detesto conselho, mas se você quer harmonia, não busque a porcaria da razão; esta serve simplesmente para alimentar seu orgulho e narcisismo. Na verdade a razão não existe; cada um tem a sua. 
Outra forma de boicotar um diálogo é culpar o outro; quando você age assim o outro se coloca numa posição de defesa e pode também agir de modo violento. Um conflito de modo geral é entendido com conflito pessoal; as pessoas transferem para o lado pessoal divergências de idéias; quem deve estar em conflito são as idéias. 
Olha filho; você não pode chegar tarde porque eu me preocupo com você; o meu amor por você as vezes me pede que eu o proteja um pouco mais do que deveria; temo pelos riscos que você possa correr. Sei que tenho que permitir você mais liberdade; mas para mim não é tarefa fácil. Assim ,o pai ou a mãe demonstra sinceridade e revela seus temores e medos ao filho. 
Na contramão disso; o pai com toda a arrogância diz você não vai e pronto; e quer saber de algo; você é burro mesmo de acompanhar esses seus amigos que são marginais. Quando o dialogo é calcado na arrogância; o pai está sendo violento e não usando o dialogo. Ser violento com o filho não é só dar umas palmadas. 
Na verdade, o adolescente quando reinvidica algo, ele quer ser escutado e respeitado; se os pais respeitassem mais seus filhos muitos conflitos seriam resolvidos. Filho não quer ter razão; eles querem ser reconhecidos como indivíduos que estão construindo uma identidade. 
É sempre bom lembrar que quem respeita não precisa concordar; são verbos diferentes, mas que não se excluem. Saber falar e escutar também deve ser desenvolvido; nós não sabemos escutar de modo proativo o outro, sempre queremos falar; quando você desenvolve a capacidade de escutar e se colocar de modo empático nesse dialogo a chance de equação de conflitos e enorme. 
Hoje as pessoas não sabem muito bem resolver conflitos porque as crianças estão sendo criadas para não serem frustradas; os pais não sabem dizer não e não exercem a autoridade. 
Outro dia estava num local e presenciei uma mãe dizendo para mim que sua filha de 07 anos não mais está estudando porque ela não quer. Incrível; mas é verdade. 
Crianças mimadas e voluntariosas tornaram adultos neuróticos e imaturos sem a menor capacidade de dialogar; de ceder; de entender o outro e de saberem que o narcisismo é uma patologia. 
Então se você quer ter um filho que não saiba dialogar superproteja e não apresente a ele o não e a frustração. Devemos saber que a tolerância nasce da mediana frustração. 
Se você vive como se fosse um príncipe enclausurado num castelo, você se achar superior e melhor do que o outro e em qualquer discussão você terá o desejo de aniquilar o outro e verá como uma batalha o conflito; o desejo de vitoria é uma falácia; pois num conflito beligerante não há vencedores existem apenas derrotados. 
O conflito pode gerar crescimento psicológico sim; e é bem vindo quando as partes têm maturidade para usarem esse momento para crescimento pessoal. A discussão e o dialogo é para reverter essa lógica e proporcionar ganho para os dois lados. E parece que o antídoto da matança e da barbárie está no amor. E sempre é bom lembrarmo-nos daquele mandamento “amarás ao teu próximo com a ti mesmo”.  
E quem ama cede; entende; escuta; dialoga e respeita e não tem tempo para julgar ; condenar ou escandalizar-se e muito menos procurar a maldita razão.

Marcos Bersam
Psicólogo Clínico